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Para conquistar a superconsciência, é preciso parar de pensar!

Para conquistar a superconsciência, é preciso parar de pensar

Por professor Ric Poli

“Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio, e a verdade me é revelada.” Foi assim que o físico Albert Einstein ilustrou o fato de que muitos cientistas, depois de extinguirem suas tentativas de obter uma informação usando o raciocínio lógico, chegam à solução, por meio da intuição.

A meditação é a ferramenta utilizada para desenvolver intuição ou superconsciência. O propósito original desta técnica é gerar muito mais lucidez, embora existam pessoas que a adotam com outros objetivos.

Aqui já vale distinguirmos intuição linear de insight. O último pode ocorrer com qualquer pessoa, de maneira instantânea, e não precisa ser exercitado. A primeira representa a expansão da consciência(1), do nível mental para o intuicional, como resultado de um treinamento de meditação executado durante anos. Algumas pessoas acessam a superconsciência com facilidade, por terem pré-disposição genética. De forma análoga, o insight seria um ponto, enquanto a intuição linear, um ponto estendido que forma uma linha contínua. Assim, sempre que eu citar “intuição” vou querer dizer “intuição linear”. Do contrário, usarei “insight”.

Uma breve passagem pelo estado de meditação

Chamamos de insight uma passagem repentina pelo estado de meditação que, normalmente, ocorre por acaso. É bem provável que você, leitor, já tenha tido alguns, ou muitos insights, ao longo de sua vida. Nesse pequeno lapso de tempo, é bastante comum as pessoas terem grandes ideias, respostas para problemas antes aparentemente insolúveis, inspiração para as artes, estímulo para o desenvolvimento de projetos, entusiasmo para criar algo novo etc. Constitui uma função inerente ao nosso organismo, a qual não tem nada de místico ou sobrenatural, assim como os pensamentos e as emoções também não têm.

A cena clássica para um lampejo, manifestação repentina de uma ideia genial, é o banho de Arquimedes. Basta nos lembrarmos da famosa história em que ele correu nu pelas ruas de Siracusa, gritando “eureka!, eureka! [encontrei!, encontrei!]”, após ter descoberto o princípio da flutuabilidade.

Os cientistas utilizam bastante essa via de absorção de conhecimento e, normalmente, após descobrirem algo através da intuição, buscam a confirmação com métodos mentais, como o raciocínio e a verificação experimental. Linus Pauling, ganhador do Prêmio Nobel de Química em 1954, afirmou: “É claro que nós, cientistas, usamos a intuição. Conhecemos a resposta antes de checá-la”.

Não são apenas os que se dedicam à ciência que aproveitam esta ferramenta, intrínseca ao ser humano. Executivos e empresários utilizam-na para resoluções cruciais, em momentos decisivos. Artistas acessam esse canal de consciência e têm sua capacidade de criação potencializada. Desportistas transformam-na em performances extraordinárias. Estudantes tornam-se muito mais atentos e assertivos. Todos podem, de alguma maneira, usufruir a meditação para produzir mais.

A habilidade de ter quantos insights quiser desenvolve-se quando se aprende o caminho para alcançar a intuição, a qual pode se manifestar a qualquer hora e em qualquer lugar. Já imaginou, por exemplo, vivenciá-la numa reunião de negócios, e a clareza produzida por ela contribuir para o fechamento de um novo contrato?

Experimentar a superconsciência no cotidiano é formidável, pois você passa a enxergar a vida, as pessoas e o mundo através de uma nova perspectiva, com muito mais lucidez. Cada pessoa tem uma tendência peculiar para acessá-la, conforme seus hábitos, maneira de ser e ambiente no qual está inserida.

Circunstâncias que propiciam os insights

O BANHO

Para muitas pessoas, o banho é um instante propício para gerar flashes de intuição, porque, neste momento, a tendência é que, sem muitos estímulos ao pensamento, fiquemos com foco total no que estamos fazendo. Talvez porque não estejamos lendo nada, conversando, assistindo algo etc., ou seja, mais propensos a vivenciar a situação sem julgá-la e categorizá-la, ou mesmo associá- la ou compará-la a outros momentos.

Mesmo as pessoas que passam praticamente o dia inteiro sem prestar atenção alguma em seu próprio organismo têm, durante o banho, uma excelente oportunidade de aumentar essa autopercepção. Assim, o raciocínio lógico, que impede o funcionamento da meditação, cessa, mesmo que por milésimos de segundo, e acessamos a superconsciência.

No meu caso, o estímulo para utilizar o banho como um momento de conexão comigo mesmo começou cedo, em casa, porque minha mãe praticava esta técnica e sempre estimulou que eu fizesse o mesmo.

NOS ESPORTES

O foco total no momento presente e o período de proximidade maior com as funções orgânicas do corpo, fazem da prática da maioria dos esportes outra ocasião favorável para acessarmos o canal intuicional.

Eu mesmo tenho alguns insights ao nadar, normalmente nos dias em que não estou preocupado com a série a ser cumprida, nem com o tempo a ser batido. Eles ocorrem quando simplesmente nado, curtindo as sensações geradas pelo toque da água no meu corpo, quando contemplo os sons, a respiração, o movimento dos músculos sendo exigidos, o corpo deslizando na água etc. Já ouvi diversas pessoas que praticam corrida mencionarem que vivenciam algo parecido, enquanto treinam.

Há algumas modalidades que exigem um grau mais profundo de concentração, como é o caso do automobilismo. Um exemplo é o ícone mundial desse esporte, Ayrton Senna, que descreveu o grande prêmio de Mônaco, em 15 de maio de 1988, como uma experiência única. Do seu jeito, ele expôs, o que, pela descrição, parece ter sido uma corrida feita em meditação: “Aquele dia, de repente, eu percebi que já não estava mais dirigindo conscientemente. Para mim, era como se fosse outra dimensão. O circuito era um túnel, em que eu só ia, ia e ia em frente. E eu notei que estava além da minha compreensão consciente.”(1)

Nesse dia, sua performance foi tão elevada, que chegou a ficar 57 segundos à frente de Alain Prost, que era o então campeão mundial e piloto principal da equipe, na qual Senna tinha acabado de entrar. Foi um feito histórico.

Há, ainda, aqueles que têm lapsos de intuição quando tocam seu instrumento musical; uns, quando praticam sua arte marcial; outros, ao dançar; outros, ouvindo suas músicas prediletas. Todas essas atividades têm, em comum, uma atitude descontraída e a concentração profunda no momento presente, em um único objeto, que, nesses casos, são o instrumento musical, a arte marcial, a dança e a música.

Superconsciência a qualquer hora

Imagine como seria espetacular poder ter quantos insights você bem entender, por decisão própria, nos lugares onde quiser e pelo tempo que lhe convier. Orientar o desenvolvimento desta habilidade é uma das propostas do DeRose Method, uma vez que a maioria das pessoas jamais chega a tornar o alcance da meditação voluntário, a ponto de usá-la como propulsora do seu sucesso nas mais diversas áreas da vida.

1 Extraído do filme Senna, o homem, a lenda. Dirigido por Asif Kapadia, Universal Pictures, 2010.

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